

2025-12-10
Por Juliano Ventura, Pedro Almeida Jorge
Os primeiros dois anos de Javier Milei como presidente da Argentina têm sido marcados por reformas económicas ousadas e ajustes estruturais profundos, visando solucionar problemas historicamente persistentes como a inflação, os desequilíbrios orçamentais e a crise cambial.
Após uma fase inicial de fortes ajustes, marcada por um impacto social significativo, vários indicadores começam a evoluir de forma positiva — com destaque para o controlo da inflação e a redução gradual da pobreza — embora a Argentina continue a atravessar um contexto social e político sensível, que condiciona o ritmo e a sustentabilidade do processo de estabilização.
Em jeito de atualização do balanço efetuado há um ano atrás, apresentamos neste artigo um ponto de situação dos resultados concretos das políticas de Javier Milei até ao momento.
Introdução
Em 10 de dezembro de 2023, Javier Milei assumiu a presidência da Argentina, prometendo uma transformação radical no País. Com um discurso efusivo e propostas disruptivas, autointitulando-se de liberal-libertário e até “anarcocapitalista”, Milei tornou-se um símbolo de rutura com o sistema político tradicional, apresentando soluções audazes para combater os problemas estruturais que há décadas assolam o País.[1]
Ao longo da sua campanha, Milei prometeu medidas drásticas, como o fim do controlo de preços, a privatização de empresas públicas, a eliminação do banco central (e consequente “dolarização” da economia), a desregulamentação e desburocratização de diversos setores, a redução do número de ministérios e de empregos públicos e a revisão e otimização dos diversos apoios sociais. Tal como Milei advertiu, o ajuste seria difícil numa primeira fase, à medida que as medidas distorcivas em vigor seriam removidas, focando-se o Executivo, no curto prazo, em atacar diretamente desafios estruturais como a inflação galopante, o défice orçamental e a crise das reservas cambiais. Segundo Milei, a quebra da atividade económica e o problema da pobreza só poderiam ser sustentavelmente resolvidos após um saneamento drástico das contas públicas e do balanço do banco central, sempre sem recorrer ao default.
"A inflação é o roubo do valor do dinheiro por parte do Estado. É o imposto mais cruel, porque destrói os salários dos trabalhadores e empobrece os mais vulneráveis", declarou Milei num dos seus discursos mais marcantes durante a campanha.
Passados dois anos desde a assunção de Javier Milei à presidência da Argentina, é legítimo perguntar: até que ponto o seu governo tem cumprido o que prometeu? Em alguns casos, o radicalismo retórico ainda não se traduziu em ações definitivas — o Banco Central continua ativo, apesar das promessas de encerramento, e a dolarização da economia permanece fora de alcance. No entanto, grande parte das medidas mais ousadas do seu programa já está em marcha. Destacam-se a desregulação intensa da economia, com quase três regulações ou normas a serem eliminadas ou modificadas diariamente, a redução e quase eliminação da “brecha cambial” (a diferença entre o câmbio oficial e o de mercado), a diminuição drástica do número de ministérios — para menos da metade do governo anterior — e a redução de mais de 53 mil postos de trabalho no setor público (mais de 10% do emprego público).[2][3][4] Quanto aos controlos cambiais, o governo anunciou em abril de 2025 o levantamento de grande parte das restrições, embora a sua eliminação total ainda não esteja concluída.
Mas qual tem sido o impacto real destas reformas? Como evoluiu desde então a inflação, o défice orçamental, o PIB, os salários, as reservas internacionais ou a taxa de pobreza? É precisamente isso que este artigo (uma atualização da versão lançada há um ano) propõe esclarecer, aferindo os resultados concretos das promessas de Javier Milei, como forma de balanço aos seus dois primeiros anos de governação.
Como evoluiu o peso do Estado e a burocracia?
Desde que Javier Milei assumiu o poder, um dos eixos centrais da sua agenda tem sido a desregulamentação radical da economia e a redução drástica da burocracia estatal — uma aposta que visa reduzir o peso do Estado e torná-lo mais leve e eficiente.
De acordo com o Ministério da Desregulação e Transformação do Estado, desde que o governo tomou posse e até setembro de 2025, foram contabilizadas 437 normas de desregulamentação, enquanto 1.306 normas foram modificadas ou eliminadas. Quase 10 mil (9.612) artigos legislativos foram alvo de modificação ou revogação. Além disso, foi constituído um canal digital (na página oficial do governo) onde os cidadãos podem “reportar a burocracia”: qualquer pessoa pode alertar para regulamentações que julga desnecessárias, obsoletas ou onerosas para a atividade económica.
Além dessa reforma normativa, o Estado está a reduzir a sua estrutura institucional. Isso ficou bem patente aquando da formação do seu governo, com a diminuição muito significativa do número de ministérios— para menos da metade do governo anterior. Em 2024 também foram fechadas mais de 200 entidades estatais, incluindo secretarias e organismos considerados redundantes ou “não essenciais”.
No plano do emprego público, Milei também implementou cortes significativos. Segundo dados oficiais do governo, até julho de 2025 foram eliminados cerca de 53 mil postos de trabalho no setor público, o que representa uma queda de mais de 10% na administração nacional. Os cargos superiores reduziram-se em 36%. Estes cortes representam uma poupança anual substancial, de quase 2 mil milhões de dólares, de acordo com o governo.

A “motosserra” chegou também às empresas públicas. Foi aprovada a “Ley de Bases”, que define várias empresas públicas como sujeitas a privatização ou concessão. Com essa lei, fica aberto o caminho para privatizar ou concessionar empresas como a Intercargo (serviços aeroportuários), AySA (água / saneamento), Belgrano Cargas, Corredores Viales, entre outras. A IMPSA (metalúrgica) já foi privatizada, a YCRT (mina de carvão) foi transformada em “Sociedade Anónima”, para facilitar a sua venda futura, tal como o Banco Nación, o maior banco público da Argentina.
Para Milei e o seu governo, estas reformas simbolizam mais do que um corte no tamanho do Estado: são a base para que a liberdade individual cresça, com menos impostos e menos regulação sobre a iniciativa privada. De acordo com o presidente argentino, cada regulamentação eliminada representa “um peso a menos sobre os cidadãos e sobre quem produz”.
Como evoluiu a taxa de inflação?
A taxa de inflação mensal atingiu o pico de 25,5% no mês em que Milei tomou posse, um valor verdadeiramente impressionante pelos piores motivos. Uma inflação muito elevada é prejudicial porque corrói o poder de compra, dificultando o acesso dos indivíduos a bens e serviços essenciais, afetando em especial as camadas mais pobres e vulneráveis da população. Além disso, gera incerteza económica, reduzindo o estímulo ao investimento e ao planeamento de longo-prazo (por exemplo, há um ano atrás, os empréstimos hipotecários eram praticamente inexistentes, por impossibilidade de prever e suportar as taxas de juro de longo-prazo).
Mas não só a taxa de inflação era enorme, como vigorava um controlo de preços generalizado, levando à falta de bens nas prateleiras. Este mecanismo de controlo dos preços, que impedia artificialmente que o ritmo de crescimento dos preços fosse ainda mais impressionante, em nada beneficiava os argentinos: é verdade que não pagavam preços mais elevados por determinados produtos, mas isso porque nem sequer tinham acesso a eles.
Desde então, o ritmo de crescimento mensal dos preços tem abrandado drasticamente, fixando-se em 2,3% em outubro de 2025. Há cerca de um ano que a taxa de inflação mensal argentina se fixa, com muito poucas exceções, em valores entre 1,5% e 3%, muito abaixo do registado antes da sua eleição. Neste indicador, o desempenho do Executivo de Milei tem sido um sucesso, cumprindo com uma das suas principais promessas eleitorais.

Milei conseguiu melhorar as contas públicas?
Nos três anos anteriores à chegada de Milei ao poder, o défice das administrações públicas argentinas foi sempre superior a 3,5% do PIB. Em 2024, o saldo foi positivo em 0,3% do PIB e em 2025, até ao mês de julho, o saldo é positivo em 0,4% do PIB. Em relação ao ano de 2023 (em que se registou um défice de 4,4% do PIB), em 2024 registou-se um ajuste de quase 5% do PIB. Isto numa economia que registou défices orçamentais em quase todos os anos da sua história.

Mas, para além do défice das administrações públicas, existe também o défice “quase fiscal”. É essa a designação atribuída ao financiamento do Estado através da impressão monetária por parte do Banco Central. Estima-se que esse défice tenha sido de cerca do dobro do défice orçamental em 2023. Também neste indicador houve um enorme ajustamento por parte do executivo de Milei, sendo prova disso a redução do peso da dívida pública no ativo do Banco Central da Argentina (de 88,2% em dezembro de 2023 para 63,3% em agosto de 2025). A monetização da dívida pública foi uma das principais razões para a escalada da inflação.

Esta melhoria das contas públicas reflete-se numa melhoria do "risco-país" da Argentina. O spread entre a taxa de juro das obrigações do Estado argentino e a taxa de juro das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos baixou de cerca de 19% no início de dezembro de 2023 para 9% atualmente. No início de 2025 chegou a fixar-se em 5,6%, o spread mais baixo desde o início de 2019.[5]
Foi estancada a crise das reservas cambiais?
Quando Milei tomou posse, a Argentina vivia uma grave crise de reservas cambiais. As reservas de moeda estrangeira estavam a cair drasticamente e, em termos líquidos, eram já negativas em cerca de 13 mil milhões de dólares (ou 16 mil milhões de dólares, de acordo com outra métrica). O peso argentino estava tão descredibilizado, sobretudo devido à inflação galopante, que todos os agentes económicos o queriam trocar por moeda estrangeira, pressionando ainda mais no sentido da sua desvalorização.
Para travar a desvalorização do peso, o Banco Central foi obrigado a comprar a própria moeda, gastando as suas reservas de moeda estrangeira. Para conter a saída de dólares e controlar a inflação, o governo argentino adotou restrições cambiais severas, limitando a compra de dólares pelos indivíduos e pelas empresas. Isso gerou um mercado paralelo (dólar "blue") e ainda aumentou mais a desconfiança no peso, piorando a situação. As reservas cambiais eram gastas no pagamento da elevada dívida pública e respetivos juros a entidades estrangeiras e em importações (balança comercial deficitária), tendo havido também uma enorme fuga de capitais para outros países. No início de dezembro de 2023, o dólar “blue” valia cerca do triplo da taxa de câmbio oficial.[6]
Milei ajustou a taxa de câmbio oficial para níveis mais próximos da taxa verificada no mercado paralelo, tendo apostado nas privatizações, na atração de investimentos estrangeiros e no incentivo às exportações como forma de estimular a entrada de moeda estrangeira no País, sobretudo dólares. Os cortes nos gastos públicos e nos subsídios e a renegociação da dívida externa reduziram a saída de divisas estrangeiras.

A tendência relativamente às reservas cambiais líquidas do Banco Central argentino inverteu-se, estas passaram a ser positivas e a situação é bem mais animadora do que quando Milei tomou posse. De acordo com a métrica utilizada pelo FMI, o montante de reservas líquidas passou de -12,6 mil milhões de dólares, no início de dezembro de 2023, para +4,7 mil milhões de dólares em agosto de 2025.

Como tem evoluído a atividade económica?
A variação do PIB, a preços constantes, alternava entre o crescimento e a retração nos trimestres anteriores à chegada de Milei ao poder. No 4.º trimestre de 2023, aquando da eleição, e mesmo com os estímulos eleitoralistas do governo de Alberto Fernández e a inflação a disparar, a economia argentina estava em forte retração (o PIB encolheu 2,3% nesse trimestre). Nos três primeiros trimestres de governação do atual executivo, a economia afundou ainda mais, com uma retração de 5,0% no primeiro trimestre de 2024 e de 1,1% no segundo trimestre e de 1,9% no terceiro trimestre. O presidente argentino tinha alertado, durante a campanha, para o impacto que os ajustes que iria implementar teriam na atividade económica a curto prazo. E, de facto, foi algo que se verificou nos primeiros três trimestres da sua governação.
Porém, no último trimestre de 2024, a tendência inverteu-se e o PIB real cresceu 2,6% face ao mesmo trimestre de 2023. Ou seja, no final de 2024, a economia argentina já estava acima do que se verificava quando Milei tomou posse. Os dois primeiros trimestres de 2025 foram de grande crescimento económico, com o PIB a expandir-se 5,8% e 6,3%, respetivamente. As estimativas do INDEC para a evolução da atividade económica, uma espécie de projeções mensais para a evolução do PIB, nos meses de julho, agosto e setembro deste ano confirmam a continuação do bom momento da economia argentina, com crescimentos de 0,1%, 0,7% e 0,5% face ao mês anterior, respetivamente.

Mas verificam-se outros sinais de melhoria. O Índice de Produção Industrial (IPI) registou quebras homólogas que atingiram valores acima de 20% em alguns meses do primeiro semestre de 2024, mas estabilizou e em setembro de 2025 fixa-se acima do registado em janeiro de 2023.[7] O volume das exportações, a preços constantes, cresceu 34% entre o terceiro trimestre de 2023 e o terceiro trimestre de 2025 [8], o que também se traduziu numa melhoria da balança comercial, que passou de um défice de mais de 7 mil milhões de dólares em 2023 para um superávite de quase 19 mil milhões de dólares em 2024. Entre janeiro e outubro de 2025, o superávite é de cerca de 7 mil milhões de dólares.[9] Por último, o volume de importações de bens de capital em junho de 2025 era 22% ao que se registou em junho de 2023.[10] São sinais positivos, que indicam que a economia argentina está no bom caminho. Estimativas recentes do FMI apontam para um crescimento do PIB de 4,5% em 2025 e de quase 4% ao ano até 2030.
E o mercado de trabalho, como tem evoluído?
Como seria de esperar, verificou-se um aumento da taxa de desemprego desde que Milei tomou posse. A média da taxa de desemprego nos dois primeiros trimestres de 2025 fixou-se em 7,8%, mais de dois pontos percentuais acima do que se verificou em 2023 (5,4%), mas ainda assim abaixo do pico atingido em 2020 (11,4%), ano da pandemia, e nos anos anteriores à crise sanitária.

Por seu lado, os salários reais, ou seja, os salários ajustados pela inflação, afundaram. No entanto, grande parte da quebra não deve ser imputada ao atual executivo, uma vez que os salários reais baixaram sobretudo entre novembro e dezembro de 2023 (Milei tomou posse a 10 de dezembro desse ano). A principal razão para a redução dos salários reais foi a explosão da inflação, que desvalorizou os salários nominais e tirou poder de compra aos trabalhadores. O índice dos salários reais (base 100 em janeiro de 2021) mostra que estes baixaram de 96,8 em outubro de 2023 para 81,2 em dezembro de 2023 (-16%), tendo atingido o valor mais baixo em março de 2024 (77,9 e 20% abaixo de outubro de 2023). Desde então tem havido uma rápida e consistente recuperação, até 97,8 em setembro de 2025. Este valor já é 20% superior ao que se registava quando Milei tomou posse e fica acima do registado em outubro de 2023. Ou seja, os salários já recuperaram totalmente da perda de poder de compra que ocorreu em virtude do contexto de elevada inflação.

A pobreza disparou?
Tendo em conta o impacto que a inflação teve nos rendimentos dos argentinos e o impacto dos cortes de Milei em alguns apoios sociais, seria inevitável uma subida da taxa de pobreza, especialmente se considerarmos que esta poderia estar subavaliada até à chegada de Milei ao poder. Como a taxa de pobreza é calculada com base nos rendimentos das famílias e no preço de um cabaz de produtos, e como muitos dos preços se encontravam congelados administrativamente, isso fazia com que as estatísticas de pobreza também fossem artificialmente baixas. O problema é que, na prática, o que esses controlos de preços causavam era uma falta de bens nas prateleiras, por não haver incentivos para a sua venda ao público.
Assim, o fim do controlo de preços desmascarou alguma pobreza que escapava às estatísticas oficiais, o que, a juntar às outras reformas que Milei implementou, fez disparar a taxa de pobreza na Argentina. A taxa de pobreza passou de 41,7% no semestre entre julho e dezembro de 2023 para 52,9% no semestre entre janeiro e junho de 2024 (+11,2 pontos percentuais). Apesar do que foi referido anteriormente e de se tratar de uma evolução esperada, não deixa de ser uma realidade dramática.
Porém, a partir daí, a trajetória tem sido muito positiva. A taxa de pobreza está a baixar progressivamente e, no primeiro semestre de 2025, fixou-se em 31,6% (menos 21,3 pontos percentuais face ao primeiro semestre de 2024). Continua a ser uma taxa de pobreza enorme, mas é o valor mais reduzido desde o 1.º semestre de 2018.

Caso de estudo: A desregulamentação no mercado de arrendamento
Desde 2020, estava em vigor na Argentina a Lei do Arrendamento, uma das leis de controlo de rendas mais rígidas do mundo, implementada com o objetivo de manter os preços da habitação acessíveis. Os efeitos dessa lei revelaram-se desastrosos, com a oferta de habitações no mercado a cair e o valor das rendas a manter a trajetória ascendente. Na capital Buenos Aires, entre 2019 e 2023, o número de imóveis no mercado para arrendamento caiu para menos de metade (-53%) e os preços, em termos reais, quase duplicaram (+96%). De acordo com um relatório do Centro de Estudos para o Desenvolvimento Económico e Social Urbano (Cedesu), em 2022 havia quase 200 mil casas vazias na capital argentina, mais 45% do que em 2018.
A 29 de dezembro de 2023, Javier Milei revogou a Lei do Arrendamento, acabando com a regulamentação do mercado de arrendamento e deixando as forças do mercado atuar. O impacto tem sido muito positivo na capital argentina e, quase dois anos depois, o número de habitações no mercado cresceu para um número superior em 27% ao que se verificava antes da lei do arrendamento (quase o triplo face a 2023). Como consequência desta maior oferta de imóveis, os preços baixaram, em termos reais, para menos de metade face a 2023 (-51%) e fixaram-se em valores inferiores aos praticados em 2019 (-4%) — ver gráfico abaixo.

Conclusão
Os primeiros dois anos de governação de Javier Milei na Argentina foram marcados por uma implementação acelerada de medidas de austeridade e reformas estruturais ambiciosas, que refletiram tanto avanços notáveis quanto desafios significativos. O combate à inflação, um dos pilares das promessas eleitorais de Milei, alcançou resultados positivos com uma drástica desaceleração dos preços, aliviando parte do impacto sobre os mais vulneráveis. No âmbito orçamental, o ajuste foi contundente, transformando um défice histórico em superávite, ao passo que a crise das reservas cambiais foi mitigada, tal como a brecha cambial.
No entanto, ainda que se possa argumentar que a alternativa também não seria animadora, os custos sociais e económicos das reformas não podem ser ignorados. A atividade económica sofreu uma retração significativa no curto prazo, acompanhada pelo aumento da pobreza e do desemprego, que afetam diretamente as franjas mais vulneráveis da sociedade. Apesar disso, em pouco tempo a tendência negativa desses indicadores inverteu-se e os sinais são muito positivos. O PIB cresce a um ritmo elevado, os salários reais também e a pobreza já está bastante abaixo do registado antes de Milei tomar posse.
A transição promovida por Milei coloca a Argentina num caminho de recuperação estrutural, mas o sucesso a longo-prazo dependerá da evolução das condições sociais e do apoio da maioria da população. As reformas estruturais deverão continuar a ser implementadas e em 2026, as prioridades serão a reforma das leis laborais, a reforma do código penal, a reforma da Ley de Glaciares, para desbloquear investimentos nos setores mineiro e energético, e a privatização de empresas estatais.
Por enquanto, o executivo mantém um forte apoio popular e prova disso foram as eleições parlamentares que ocorreram em outubro de 2025 (La Libertad Avanza, coligação liderada por Milei, venceu com mais de 40% dos votos. Apesar das dificuldades inerentes dos primeiros anos das reformas de Milei, o líder argentino mantém-se popular e, de forma geral, os argentinos parecem manter-se esperançosos com a sua governação.
[1] Para uma análise por nós publicada aquando da tomada de posse de Milei, vê aqui.
[2] Entrevista a Javier Milei (novembro de 2024). (link)
[3]Milei Reform Watch, UFM. (link)
[4] Ministerio de Desregulación y Transformación del Estado, Gobierno de Argentina. (link)
[5]Fiscal Monitor - Milei Reform Watch, UFM. (link)
[6]Currency Monitor - Milei Reform Watch, UFM. (link)
[7] "Industria manufacturera" (Sep. 25), INDEC. (link)
[8] "Índices de precios" (Tercer trimestre de 2025), INDEC. (link)
[9] "Comercio exterior" (Oct. 25), INDEC. (link)
[10]Macroeconomic Monitor - Milei Reform Watch, UFM. (link)
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