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2026-02-04

Por +Factos

Cobertura de seguros contra eventos climáticos extremos vs. prejuízos causados, entre 1980 e 2024, na Europa

Portugal apresenta uma das mais baixas coberturas de seguros contra eventos climáticos extremos na Europa, com apenas cerca de 3% das perdas entre 1980 e 2024 seguradas. Num país altamente exposto a incêndios, ondas de calor, cheias e secas, este défice agrava o impacto económico das catástrofes. A OCDE defende a criação de um mecanismo público-privado e a introdução de seguros obrigatórios como forma de reforçar a resiliência e mutualizar os custos futuros dos eventos climáticos extremos.

Portugal é hoje um dos países europeus com menor cobertura de seguros contra eventos climáticos extremos, apesar de se situar a meio da tabela quando se analisam os prejuízos económicos causados por estes fenómenos. Entre 1980 e 2024, apenas cerca de 3% das perdas associadas a eventos climáticos extremos em Portugal estavam seguradas, um valor muito inferior ao observado na maioria dos países da OCDE.

Este dado é particularmente relevante num país altamente exposto a riscos climáticos. A posição geográfica de Portugal — entre o Atlântico e o Mediterrâneo, com um clima quente e vastas áreas florestais — aumenta a vulnerabilidade a incêndios rurais, ondas de calor, secas, cheias e à subida do nível do mar. Não por acaso, entre 1980 e 2023, estes eventos causaram mais de 20 mil mortes e cerca de 17,6 mil milhões de euros em perdas económicas, de acordo com a OCDE.

O contraste torna-se evidente quando se comparam seguros e danos. Países como a Suíça ou o Luxemburgo combinam elevados prejuízos per capita com níveis muito superiores de cobertura seguradora, enquanto Portugal acumula perdas significativas — cerca de 1,7 mil euros per capita — com uma das taxas de cobertura mais baixas da Europa. Esta fraca mutualização do risco reduz a eficácia dos seguros privados e transfere grande parte do custo das catástrofes para o Estado e para os cidadãos não segurados.

Perante este cenário, a OCDE recomenda que Portugal avance para um mecanismo formal de partilha de risco público-privado, incluindo a possibilidade de tornar obrigatório o seguro de propriedade contra catástrofes naturais, à semelhança do que já acontece noutros países. Alargar a cobertura seguradora é visto como uma peça-chave para reforçar a resiliência económica, reduzir o impacto macroeconómico das catástrofes e preparar o país para eventos extremos que se prevêem mais frequentes e intensos nas próximas décadas.

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