

2026-08-28
Por +Factos
Dados compilados pela revista The Economist mostram que a fatia do consumo mundial do 1% mais rico da população mundial caiu de 13% em 2000 para 11% em 2025, enquanto a dos 50% mais pobres subiu de 7% para 12% no mesmo período, ultrapassando a fatia detida pelos mais ricos.
É frequente ouvir e ler que o mundo está a tornar-se cada vez mais desigual. No entanto, embora a desigualdade continue a ser elevada à escala global, os dados sobre a distribuição do consumo mostram uma evolução diferente: a distância entre o consumo dos mais ricos e dos mais pobres tem vindo a diminuir de forma significativa nas últimas duas décadas e meia.
Segundo dados da World Data Lab compilados pela The Economist, em 2000, o 1% da população mundial mais rico, ou seja, com maiores rendimentos, representava 13% do consumo mundial, enquanto os 50% mais pobres representavam apenas 7%. Em 2025, a fatia do consumo mundial detida pelo 1% mais rico caiu para 11%, enquanto a dos 50% mais pobres subiu para 12%. Trata-se de uma inversão histórica: durante a maior parte do período em análise, o 1% mais rico consumiu, no total, mais do que metade da população mundial.
A convergência foi gradual ao longo do tempo. A diferença entre os dois grupos foi-se estreitando, com a fatia dos mais pobres a crescer de forma consistente e a dos mais ricos a recuar lentamente. Na segunda metade da década de 2010, as duas curvas aproximaram-se e cruzaram-se, com os 50% mais pobres a ultrapassar o 1% mais rico.
Esta tendência reflete, em larga medida, o crescimento económico registado em países emergentes e em desenvolvimento, nomeadamente na Ásia, que permitiu a centenas de milhões de pessoas sair da pobreza extrema e aumentar o seu consumo nas últimas duas décadas e meia. Ainda assim, o facto de apenas 1% da população mundial continuar a consumir uma fatia comparável à de metade da humanidade ilustra a persistência de níveis elevados de desigualdade à escala global.
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