

2026-06-07
Por +Factos
Portugal apresenta uma situação invulgar entre os países europeus da OCDE: os contribuintes financiam 87% da despesa do SNS, a percentagem mais elevada entre os países analisados, mas, apesar disso, a despesa privada representa 38% da despesa total em saúde, o terceiro valor mais elevado. Isto significa que muitas famílias incorrem numa dupla despesa em saúde: financiam o SNS através dos impostos e pagam do seu bolso seguros, consultas, exames e outros cuidados.
Portugal destaca-se entre os países europeus por uma aparente contradição: os contribuintes financiam a maior parcela dos sistemas públicos de saúde, mas continuam a suportar diretamente do seu bolso uma fatia muito elevada da despesa total em saúde.
Em 2023, o financiamento público representou 87% da despesa do SNS, o valor mais elevado entre os países europeus da OCDE com dados disponíveis. No entanto, em 2022, a despesa privada correspondia a 38% da despesa total em saúde, o terceiro valor mais elevado do grupo analisado.
Isto significa que, apesar do forte financiamento público do SNS através dos impostos, muitas famílias continuam a ter de recorrer a seguros de saúde, consultas privadas, exames, medicamentos e outros cuidados pagos diretamente do seu bolso. Há, portanto, uma duplicação dos gastos em saúde para estas famílias.
Esta realidade sugere que o elevado esforço coletivo de financiamento do sistema público não elimina a necessidade de uma despesa privada significativa, levantando questões sobre a acessibilidade, disponibilidade e resposta dos cuidados de saúde para uma parte importante da população.
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