

2026-04-01
Por +Factos
Portugal é um dos países da OCDE onde o prémio salarial associado ao ensino superior é mais elevado. Em 2023, os trabalhadores jovens com ensino superior ganhavam, em média, mais 58% do que aqueles com o ensino secundário, acima da média da OCDE (39%). Este diferencial sugere não apenas um retorno significativo da educação, mas também possíveis desequilíbrios na estrutura de qualificações e uma menor valorização relativa do ensino profissional não superior.
Em que medida o mercado de trabalho recompensa as qualificações superiores com salários mais elevados? À primeira vista, prémios salariais mais elevados podem ser interpretados como um sinal positivo, por refletirem a valorização do esforço e do investimento em educação. No entanto, diferenças muito acentuadas nem sempre resultam apenas do retorno do investimento, podendo também refletir desequilíbrios no mercado de trabalho, nomeadamente entre a procura e a oferta de determinados tipos de qualificações.
Em 2023, em Portugal, os trabalhadores entre os 25 e os 34 anos com ensino superior ganhavam, em média, mais 58% do que aqueles com apenas o ensino secundário — um valor bem acima da média da OCDE (39%).
Este resultado coloca Portugal entre os países da OCDE, com dados disponíveis, com maior diferencial salarial associado ao ensino superior, apenas atrás da Colômbia (+105%), da Costa Rica (+82%) e do Chile (+76%).
No extremo oposto, países como Noruega (+6%), Suécia (+12%) ou Coreia do Sul (+14%) apresentam diferenças salariais muito mais reduzidas entre níveis de escolaridade. Nestes casos, mercados de trabalho mais comprimidos, com menor desigualdade salarial e uma forte valorização de qualificações intermédias — como o ensino técnico e profissional — contribuem para reduzir os diferenciais. Paradoxalmente, são também economias frequentemente associadas a níveis mais elevados de mobilidade social, precisamente por combinarem menor dispersão salarial com maior igualdade de oportunidades.
No caso de Portugal, o elevado prémio salarial sugere, não só um retorno significativo do investimento em educação, mas também possíveis fragilidades estruturais, como desequilíbrios na estrutura de competências do mercado de trabalho e a menor valorização relativa dos trabalhadores com qualificações intermédias (o ensino profissional, não superior, é pouco valorizado e fomentado).
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