

2026-06-29
Por +Factos
Em Portugal, o salário mediano é apenas 11% superior aos salários mais baixos, a menor diferença entre os países da Zona Euro. O contraste é significativo face a países como Espanha (28%), França (46%) ou Alemanha (64%). Há quinze anos, o diferencial em Portugal era de 38%, evidenciando uma forte compressão salarial na última década e meia.
Portugal apresenta atualmente a menor diferença percentual na Zona Euro entre o salário mediano e os salários mais baixos. Um trabalhador que ganhe a remuneração mediana aufere apenas mais 11% do que os trabalhadores situados no percentil 10 da distribuição salarial, um valor muito inferior ao observado na generalidade dos restantes países da moeda única.
Enquanto em Portugal o salário mediano supera os salários mais baixos em apenas 11%, essa diferença ascende a 28% em Espanha, o país imediatamente antes de Portugal no ranking, 30% em Itália, 44% nos Países Baixos, 45% na Finlândia, 46% em França ou 64% na Alemanha.
Em 2010, o salário mediano em Portugal era cerca de 38% superior aos salários mais baixos. Em apenas década e meia, essa diferença encolheu para 11%, denotando uma enorme compressão salarial. Isto significa que uma parte cada vez mais significativa dos trabalhadores portugueses se encontra concentrada em níveis salariais muito próximos da base da distribuição.
Por um lado, o forte aumento do salário mínimo nacional ao longo da última década contribuiu para elevar os rendimentos dos trabalhadores com salários mais baixos. Por outro, os salários intermédios cresceram a um ritmo insuficiente para acompanhar essa evolução, reduzindo progressivamente a distância entre ambos.
Esta compressão salarial tem implicações importantes para a economia. Embora contribua para reduzir desigualdades salariais entre trabalhadores, também pode refletir dificuldades na valorização das qualificações, da experiência e da progressão profissional. Quando os salários intermédios crescem pouco acima dos salários mais baixos, os incentivos ao investimento em competências e ao aumento da produtividade tendem a diminuir.
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