

2026-07-07
Por +Factos
Portugal tem atualmente 11,4 milhões de residentes, mais 700 mil do que indicavam as estimativas anteriores para 2025. Caso o saldo migratório tivesse sido nulo desde 2021, a população seria de apenas cerca de 10,2 milhões de habitantes. Os dados do INE mostram que praticamente todo o crescimento populacional dos últimos anos foi impulsionado pela imigração, num período em que o saldo natural se manteve sempre negativo. Esta rápida expansão demográfica coloca novos desafios à habitação, aos serviços de saúde, à educação e às infraestruturas, ao mesmo tempo que ajuda a explicar uma parte importante do crescimento económico registado no mesmo período.
Portugal tinha 11,4 milhões de residentes em 2025. Sem o forte saldo migratório registado desde 2021, o país teria apenas cerca de 10,2 milhões de habitantes.Em apenas cinco anos, a imigração líquida contribuiu para um acréscimo de cerca de 1,2 milhões de residentes, um aumento equivalente a mais de 10% da população atual.
A revisão demográfica do INE veio confirmar que Portugal atravessou um dos períodos de crescimento populacional mais rápidos da sua história recente. Enquanto as estimativas anteriores apontavam para 10,7 milhões de residentes em 2025, a nova contabilização eleva esse valor para 11,4 milhões, refletindo sobretudo o impacto da imigração e da regularização estatística da população estrangeira residente.
Caso tivesse havido saldo migratório nulo desde 2021, a população residente teria baixado de 10,3 milhões para cerca de 10,2 milhões de habitantes. Ou seja, o crescimento populacional dos últimos anos resulta exclusivamente da imigração, uma vez que o saldo natural (nascimentos menos óbitos) foi sempre negativo (média de -37 mil entre 2021 e 2025).
Esta transformação demográfica tem consequências profundas. Mais residentes significam maior pressão sobre a habitação, os serviços de saúde, as escolas, os transportes públicos, as infraestruturas e a capacidade administrativa do Estado. Ao mesmo tempo, ajudam a explicar parte do crescimento da economia portuguesa, do emprego e das contribuições para a Segurança Social observado nos últimos anos.
Os dados evidenciam que Portugal entrou numa nova fase demográfica. Depois de décadas marcadas por saldos migratórios negativos, pelo envelhecimento da população e pela estagnação populacional, a imigração tornou-se um fator de crescimento da população residente, alterando de forma significativa a dimensão e os desafios do país em apenas alguns anos.
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