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2026-08-24

Por +Factos

Fogos licenciados por 100 mil habitantes em construções novas para habitação familiar

Apesar de todas as regiões portuguesas construírem hoje muito menos habitação do que na viragem do século, existem diferenças consideráveis entre os territórios. Em 2024 e 2025, o Norte licenciou 939 novos fogos por cada 100 mil habitantes, quase o dobro do valor registado na Grande Lisboa (496). As diferenças são ainda maiores quando se desce ao nível dos municípios.

Em todas as regiões portuguesas, constrói-se hoje consideravelmente menos habitação do que na viragem do século. Ainda assim, o ritmo de construção não é uniforme em todo o território, existindo diferenças consideráveis entre regiões e municípios. Essas diferenças tornam-se particularmente relevantes quando comparadas com a procura existente em cada território.

Nos últimos dois anos, em 2024 e 2025, o Norte liderou entre as regiões portuguesas, com 939 fogos licenciados por cada 100 mil habitantes, quase o dobro do valor registado na Grande Lisboa (496). A Região Autónoma da Madeira (786) e o Algarve (710) apresentaram também valores comparativamente elevados, enquanto o Centro (691) e o Oeste e Vale do Tejo (686) ficaram numa posição intermédia. No extremo oposto ficaram o Alentejo (415), a Grande Lisboa (496) e a Península de Setúbal (518).

Esta realidade é particularmente relevante num contexto de forte aumento dos preços da habitação. A construção de novos fogos é uma das principais formas de aumentar a oferta disponível, mas a sua distribuição territorial determina em que mercados essa oferta efetivamente chega. Construir mais no conjunto do país não significa necessariamente aumentar suficientemente a oferta nos municípios onde a procura é mais elevada.

As diferenças tornam-se ainda mais expressivas quando se desce ao nível dos municípios. O mapa mostra que a construção é, em geral, mais reduzida no interior do país. No entanto, esses territórios apresentam também uma menor procura por habitação, pelo que um menor ritmo de construção não se traduz necessariamente numa maior pressão sobre os preços. O cenário é diferente em algumas das zonas com maior procura e maior pressão sobre a oferta habitacional, em particular muitos municípios da Grande Lisboa e do Algarve, que apresentam níveis de construção relativamente baixos face à procura existente, contribuindo para preços mais elevados.

Os dados mostram, assim, uma dupla realidade: Portugal constrói hoje muito menos habitação do que há duas décadas, mas, dentro desse nível globalmente baixo, existem diferenças consideráveis na capacidade de construção entre regiões e municípios.

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