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2026-04-21

Por +Factos

Variação anual da remuneração média, do salário mínimo e da produtividade média, por trabalhador

O crescimento dos salários em Portugal tem superado, de forma consistente, a evolução da produtividade na última década. Enquanto o salário mínimo e a remuneração média registam aumentos significativos — crescimentos médios anuais acima de 2,5% desde 2020 — a produtividade permanece praticamente estagnada, com um crescimento médio de 0,5% ao ano e uma estimativa de apenas +0,2% para 2026. Esta evolução levanta desafios relevantes: pressão sobre margens empresariais, perda de competitividade externa e dificuldade em sustentar aumentos salariais no longo prazo.

Em Portugal, na última década, o crescimento dos salários tem ficado, consistentemente, acima da evolução da produtividade, evidenciando um desalinhamento estrutural entre remuneração e criação de valor na economia.

Entre 2010 e 2014, a realidade até foi diferente. A produtividade cresceu acima dos salários, devido à crise económica e financeira que Portugal atravessou. Em termos reais, a remuneração média do país caiu cerca de 1,4% ao ano, enquanto o salário mínimo nacional também baixou ligeiramente (-0,1% ao ano). A produtividade média por trabalhador cresceu 0,9% ao ano, nesse período.

A partir de 2015, o padrão alterou-se de forma clara. Entre 2015 e 2019, o salário mínimo aumentou em média 3,5% ao ano, enquanto a remuneração média cresceu 1,4% e a produtividade apenas 0,5%. Ou seja, os salários começaram a crescer muito acima da criação de valor, por trabalhador.

Essa tendência manteve-se entre 2020 e 2025, com crescimentos praticamente alinhados entre salário mínimo (+2,6%) e remuneração média (+2,5%), mas novamente com a produtividade limitada a apenas +0,5% ao ano. Para 2026, as estimativas reforçam este desfasamento: o salário mínimo deverá subir 2,9% e a remuneração média 0,7%, enquanto a produtividade abranda para apenas +0,2%.

A evolução da última década comprova a existência de um modelo económico onde os salários sobem mais por decisão política ou escassez de mão-de-obra, do que por ganhos reais de eficiência. Isto cria desafios relevantes: pressão sobre margens empresariais, perda de competitividade externa e dificuldade em sustentar aumentos salariais no longo prazo.

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