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Discurso no Banquete do Nobel

Friedrich A. Hayek

Excertos e Ensaios, Economia, Escola Austríaca, Filosofia, Ética e Moral

Português

 

 

Vossa Majestade, Vossa Alteza Real, Senhoras e Senhores,

Agora que foi criado o Prémio das Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, só posso estar profundamente grato por ter sido selecionado como um dos seus co-agraciados, e os economistas têm, de facto, todos os motivos para estarem gratos ao Banco da Suécia por considerar a sua disciplina como digna desta grande honra.

Ainda assim, devo confessar que, se tivesse sido consultado sobre a instituição de um Prémio Nobel da Economia, ter-me-ia decididamente oposto.

Uma razão para isso é o meu receio de que, como acredito ser verdade para as atividades de algumas das grandes fundações científicas, tal prémio tenderia a acentuar as oscilações das modas científicas.

O comité de seleção refutou brilhantemente esta apreensão ao outorgar o prémio a alguém cujas opiniões são tão fora de moda como as minhas.

Não me sinto, ainda assim, igualmente tranquilo quanto à minha segunda causa para apreensão.

É que o Prémio Nobel confere a um indivíduo uma autoridade que, em Economia, nenhum homem deveria possuir.

Tal facto não é relevante nas Ciências Naturais. Aí, a influência exercida por um indivíduo é, sobretudo, uma influência sobre os seus pares; e esses logo tratam de reduzir a sua influência se ele exceder as suas competências.

Contudo, a influência do economista que principalmente importa é a influência sobre os leigos: políticos, jornalistas, detentores de cargos públicos e o público em geral.

Não há razão para um homem que tenha feito uma contribuição marcante para a ciência económica ser considerado “omnicompetente” em relação a todos os problemas da sociedade – como a imprensa tende a tratá-lo, até ao ponto em que ele próprio acaba por se convencer disso mesmo.

Um indivíduo é até levado a considerar como seu dever cívico pronunciar-se sobre problemas aos quais pode não ter dedicado especial atenção.

Não estou convencido de que seja desejável fortalecer a influência de alguns economistas em particular através de um tão cerimonial e mediático reconhecimento de feitos, os quais estão talvez até já distantes no tempo.

Estou portanto quase inclinado a sugerir que exijais dos vossos laureados um juramento de humildade, uma espécie de juramento hipocrático, em como nunca excederão, nas suas declarações públicas, os limites da sua competência.

Ou, pelo menos, ao conferir o prémio, deveríeis lembrar ao agraciado o sábio conselho de um dos grandes homens da nossa disciplina, Alfred Marshall, que escreveu: “Os estudantes das ciências sociais devem temer a aprovação popular: o Mal está com eles quando todos os homens os elogiam.”

Discurso de F.A. Hayek em dezembro de 1974, na gala banquete de entrega do seu Prémio das Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, vulgarmente conhecido por Nobel da Economia, atribuído pelo Banco da Suécia.

Hayek partilhou o Prémio com o economista sueco Gunnar Myrdal.

Tradução: Pedro Almeida Jorge.

Narração: Guilherme Perry Sampaio.

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