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Um Caminho-de-Ferro Negativo

Frédéric Bastiat

Excertos e Ensaios, Economia, Intervencionismo e Protecionismo

Português

Eu disse que, desde o momento em que desgraçadamente nos colocávamos sob o ponto de vista do interesse do produtor, não podíamos deixar de contrariar o interesse geral, porque aquele, considerado como tal, não pede senão esforços, necessidades e obstáculos.

Encontro disto um exemplo notável num jornal de Bordéus.

O Sr. Simiot estabelece esta questão:

Deverá o caminho-de-ferro de Paris a Espanha oferecer em Bordéus uma solução de continuidade?

Resolveu-a afirmativamente por uma multidão de razões que não tenho necessidade de examinar, e, entre outras, por esta:

O caminho-de-ferro de Paris a Baiona deve apresentar uma lacuna em Bordéus, a fim de que as mercadorias e os viajantes, obrigados a demorarem-se nesta cidade, aí deixem lucros aos barqueiros, carrejões, comissários, consignatários, estalajadeiros, etc. É claro que é ainda aqui o interesse dos agentes da produção anteposto ao dos consumidores.

Mas, se Bordéus deve lucrar com a lacuna e se este proveito se harmoniza com o interesse público, Angolema, Poitiers, Tours, Orleães, ainda mais, todos os pontos intermédios, Ruffec, Châtellerault, etc., etc., devem também pedir lacunas, e isto no interesse geral, no interesse bem entendido do trabalho nacional; porque, quanto mais multiplicadas elas forem, mais multiplicadas serão também as consignações, comissões, baldeações, sobre todos os pontos da linha. Com este sistema chega-se a um caminho-de-ferro composto de lacunas sucessivas, a um caminho-de-ferro negativo.

Queiram ou não os Srs. proteccionistas, é certo que o princípio da restrição é o mesmo que o princípio das lacunas: o sacrifício do consumidor ao produtor, do fim ao meio.

Capítulo XVII da primeira série de Sofismas Económicos (1848), clássico anti-protecionista de Frédéric Bastiat.

Tradução: Joaquim Botelho de Lucena.

Colaboração na edição: André Moura.

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