

2026-07-15
Por +Factos
A avaliação da ERSAR aos SMAS de Almada revela que, em 2024, apenas cinco dos 14 indicadores analisados cumpriram os valores de referência. As principais fragilidades concentram-se na gestão da rede e na sustentabilidade ambiental, com elevados níveis de água não faturada, perdas reais de água, baixa reabilitação de condutas e elevado número de avarias.
As sucessivas falhas no abastecimento de água que têm afetado Almada na última semana voltaram a colocar em evidência o estado do serviço prestado no concelho. Embora as ocorrências recentes possam ter causas específicas, os dados da ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos) mostram que os problemas na gestão da rede já eram evidentes.
Segundo a avaliação da entidade reguladora, os SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) de Almada apresentaram um desempenho global insatisfatório. Dos 14 indicadores analisados, apenas cinco cumpriram os valores de referência, enquanto sete registaram um desempenho insatisfatório e dois ficaram num nível intermédio. Em comparação com a média de Portugal Continental, Almada apenas apresenta melhor desempenho em cinco indicadores.
Na dimensão da avaliação do serviço ao utilizador, Almada obteve resultados positivos na acessibilidade física e económica do serviço, na qualidade da água distribuída e na resposta a reclamações, sugestões e pedidos de informação. Em contrapartida, registou uma ocorrência de falhas no abastecimento (2,7 por mil ramais) superior ao valor de referência (entre 0 e 1) e acima da média nacional (1,7).
É na sustentabilidade da gestão do serviço que se concentram as principais fragilidades. Os SMAS registaram uma percentagem de água não faturada de 33,4%, muito acima do máximo recomendado de 20% e da média nacional de 26,5%, uma taxa de reabilitação de condutas de apenas 0,3% ao ano (quando o valor de referência se situa entre 1,5% e 4% e a média nacional em 0,5%) e um número de avarias nas condutas bastante superior ao recomendado. Também a adequação dos recursos humanos foi classificada como insatisfatória.
Na vertente da sustentabilidade ambiental, os resultados são igualmente negativos. As perdas reais de água atingiram 284 litros por ramal e por dia, quase três vezes acima do valor de referência e da média nacional, a eficiência energética das instalações elevatórias ficou aquém do recomendado e não existiu produção própria de energia.
No conjunto dos indicadores avaliados, Almada apresenta um desempenho inferior ao desejável em grande parte das áreas analisadas, sobretudo na gestão da infraestrutura e na sustentabilidade ambiental, apesar de manter níveis elevados na qualidade e na acessibilidade da água distribuída.
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