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2026-10-02

Por +Factos

Evolução acumulada do valor mediano das rendas de novos contratos de arrendamento

As rendas dos novos contratos de arrendamento aumentaram 69% entre 2019 e 2025, enquanto o rendimento médio líquido cresceu 41%. Ainda assim, a proporção de arrendatários em sobrecarga com a habitação aumentou apenas 0,9 pontos percentuais, de 26,3% para 27,2%, porque a maioria dos contratos é antiga e mantém rendas mais baixas.

As rendas dos novos contratos de arrendamento dispararam nos últimos anos, mas a realidade do mercado de arrendamento em Portugal vai muito para além dessa evolução. A maior parte dos contratos de arrendamento são antigos e com rendas baixas, pelo que estes novos contratos representam apenas uma pequena parte do mercado de arrendamento.

As rendas dos novos contratos de arrendamento cresceram 69% entre 2019 e 2025 e, no mesmo período, o rendimento médio líquido dos trabalhadores por conta de outrem aumentou 41%, uma percentagem muito inferior. No entanto, a proporção de arrendatários com encargos com a habitação superiores a 40% do rendimento disponível aumentou apenas 0,9 pontos percentuais, ou seja, a proporção de arrendatários em sobrecarga com os encargos da habitação aumentou muito pouco, passando de 26,3% para 27,2%. Isto significa que o aumento das rendas dos novos contratos não se refletiu na mesma magnitude na taxa de sobrecarga dos arrendatários portugueses.

Uma das razões está na composição do mercado de arrendamento: a maioria dos contratos é antiga e mantém rendas relativamente baixas. Em 2021, data dos últimos Censos, cerca de 70% das rendas estavam abaixo dos 400€, muito abaixo dos valores praticados nos novos contratos de arrendamento. Assim, os fortes aumentos registados nos novos contratos afetam sobretudo quem entra agora no mercado, enquanto a maior parte dos atuais arrendatários continuam abrangidos por contratos celebrados há vários anos, com rendas inferiores às atualmente praticadas.

A evolução apresentada evidencia, assim, uma diferença significativa entre as rendas praticadas nos novos contratos e as rendas suportadas por muitos dos atuais arrendatários.

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