

2026-01-18
Por +Factos
A taxa de abstenção nas eleições presidenciais em Portugal tem vindo a crescer ao longo da democracia, atingindo em 2021 um máximo histórico de 60,8%. Após níveis relativamente baixos nas primeiras eleições pós-25 de Abril, a participação degradou-se de forma gradual, sobretudo a partir dos anos 1990. Em particular, as eleições de recandidatura — normalmente menos equilibradas e com vencedores previsíveis — tendem a registar taxas de abstenção mais elevadas, refletindo uma menor mobilização dos eleitores para o ato eleitoral presidencial.
A abstenção nas eleições presidenciais tem aumentado de forma sustentada ao longo da democracia portuguesa, evidenciando um afastamento progressivo dos eleitores em relação à escolha do Presidente da República.
Em 1976, nas primeiras eleições presidenciais após o 25 de Abril, a taxa de abstenção fixou-se nos 24,6%, refletindo um elevado grau de mobilização num contexto de consolidação democrática. Nos atos eleitorais seguintes, apesar de alguma volatilidade inicial — 15,8% em 1980 e 21,8% em 1986 — a tendência passou a ser claramente ascendente: 38,0% em 1991 e 33,6% em 1996.
A partir dos anos 2000, a abstenção entrou num patamar particularmente elevado. Em 2001, atingiu os 50,0%, recuando pontualmente em 2006 (38,5%), mas voltando a crescer de forma acentuada nas eleições seguintes: 53,5% em 2011, 51,3% em 2016 e um máximo histórico de 60,8% em 2021.
Importa notar que as taxas de abstenção tendem a ser mais elevadas em eleições de recandidatura, nas quais os Presidentes em funções acabam, regra geral, por vencer com relativa facilidade. Estes atos eleitorais são frequentemente menos competitivos e menos equilibrados, o que reduz a perceção de incerteza do resultado e contribui para uma menor mobilização do eleitorado.
Ainda assim, a evolução global dos dados confirma que, apesar da centralidade institucional do Presidente da República, as eleições presidenciais enfrentam um problema cada vez maior de participação democrática.
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