

2026-06-03
Por +Factos
A taxa de risco de pobreza em Portugal diminuiu de 23% em 1994 para 15,4% em 2024. Contudo, como o limiar de pobreza é atualizado em função da evolução do rendimento mediano, a taxa de pobreza acaba por ser mais uma medida de desigualdade do que uma medida de pobreza. Se fosse utilizado o limiar de pobreza de 1994 atualizado apenas pela inflação, a taxa de pobreza atual seria inferior a 4%. Os dados mostram que, apesar de persistirem situações de vulnerabilidade, as condições de vida melhoraram significativamente nas últimas três décadas.
A taxa de pobreza em Portugal tem apresentado uma trajetória descendente, ao longo das últimas três décadas. Mas, se a analisarmos com base no nível de rendimentos do limiar da pobreza de há 30 anos, a redução da pobreza revela-se ainda mais pronunciada.
A taxa de risco de pobreza caiu de 23%, em 1994, para 15,4%, em 2024. No entanto, este indicador baseia-se num limiar relativo, que é recalculado todos os anos em função dos rendimentos da sociedade. Este limiar de pobreza corresponde a 60% da mediana do rendimento disponível equivalente. À medida que os rendimentos aumentam, o próprio limiar de pobreza também sobe, o que torna a taxa de pobreza mais uma métrica da desigualdade, do que da pobreza.
Quando se considera o limiar de pobreza de 1994, atualizado apenas pela inflação para os preços atuais, a percentagem de portugueses abaixo desse patamar seria hoje inferior a 4%.
Isto significa que uma grande parte da população que é considerada pobre atualmente, com base nos critérios de há três décadas já não o seria. Os padrões de vida melhoraram significativamente e o nível de vida do limiar de pobreza também é muito superior.
A diferença entre os dois indicadores ajuda a compreender duas realidades distintas. A taxa de risco de pobreza mede a pobreza relativa, isto é, quantas pessoas têm rendimentos muito inferiores aos da média da sociedade em cada momento. Já a comparação com um limiar fixo permite avaliar a evolução do poder de compra e das condições materiais de vida ao longo do tempo. Ambas as perspetivas são relevantes, mas mostram dimensões diferentes do progresso económico e social do país.
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