

2026-04-16
Por +Factos
O esforço necessário para encher um depósito de 50 litros de combustível em Portugal tem variado significativamente nas últimas duas décadas, acompanhando as crises económicas, a evolução dos preços internacionais e os rendimentos. Atualmente, o conflito no Médio Oriente volta a pressionar fortemente os preços, mas o esforço atual mantém-se abaixo dos máximos históricos, situando-se em cerca de 9,8 horas de trabalho para atestar um depósito de gasóleo e 9,0 horas para a gasolina. Apesar da subida nominal do preço dos combustíveis ao longo do tempo, os dados sugerem que o aumento dos rendimentos tem ajudado a amortecer o impacto real no poder de compra.
No atual contexto de enorme subida dos preços dos combustíveis, impulsionada pelo conflito no Médio Oriente, a perceção é de que estes nunca estiveram tão caros. Olhando para os preços no posto de combustível, essa ideia faz sentido — mas será que o mesmo se verifica quando consideramos o esforço necessário para os pagar, tendo em conta a evolução dos rendimentos?
Desde 2005, o número de horas de trabalho necessárias para encher um depósito de 50 litros de combustível, em Portugal, tem oscilado de forma significativa, acompanhando não só os preços dos combustíveis, mas também a evolução dos salários e o número de horas trabalhadas.
A crise financeira global de 2007-09 terminou com uma escalada de preços nos mercados internacionais, que fez subir o esforço necessário para se atestar um depósito de gasóleo e gasolina até 11,4 horas e 12,3 horas, respetivamente.
A crise da dívida pública portuguesa (2011-13), que provocou uma descida ou estagnação salarial, em conjunto com uma nova subida de preços, esteve na origem de um novo pico no esforço para atestar um depósito de combustível. As 12,6 horas para atestar um depósito de gasolina continuam a ser o pico máximo de esforço em Portugal, ao longo das duas últimas décadas.
Mais recentemente, a pandemia teve um efeito contrário. No 2.º trimestre de 2020, o esforço para atestar um depósito de gasóleo e gasolina caiu para 7,2 horas e 8,0 horas, respetivamente.
Em 2022, o início da guerra na Ucrânia voltou a pressionar os preços dos combustíveis, aumentando temporariamente o esforço necessário para a sua aquisição (11,3 horas no caso do gasóleo e 11,9 horas no caso da gasolina). Ainda assim, este aumento revelou-se transitório, tendo-se verificado rapidamente um alívio subsequente.
Este ano, com o espoletar do conflito no Médio Oriente, trouxe um novo aumento drástico dos preços, mas, pelo menos para já, o esforço para atestar um depósito ainda está muito longe dos picos anteriores. São necessárias cerca de 9,8 horas de trabalho para encher um depósito de gasóleo e 9,0 horas para encher um depósito de gasolina. Outro dado relevante é que o gasóleo, apesar de historicamente ter sido sempre mais barato, atualmente já custa mais do que a gasolina.
No conjunto, estes dados mostram que, apesar do crescimento nominal dos preços ao longo dos anos, a evolução dos rendimentos tem permitido amortecer o esforço necessário para abastecer, evidenciando a importância de analisar não apenas os preços, mas também o poder de compra.
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