

2026-09-15
Por +Factos
Em 2024, 37% das famílias portuguesas pertencentes ao quintil inferior dos rendimentos gastavam mais de 40% do seu rendimento disponível com a renda ou o crédito à habitação, contra 27% na média da OCDE. A percentagem em Portugal disparou nos últimos anos, devido à subida do preço das habitações e das rendas, e devido à subida das taxas de juro.
O peso dos custos com a habitação representa um problema particularmente grave para as famílias de menores rendimentos em Portugal. Em 2024, 37% das famílias portuguesas pertencentes ao quintil inferior da distribuição de rendimentos (famílias que estão entre os 20% com menores rendimentos) gastavam mais de 40% do seu rendimento disponível com a renda ou o crédito à habitação, ou seja, estavam em sobrecarga.
Portugal apresentava uma situação bastante pior do que a média da OCDE. Na média da organização, 27% das famílias de menores rendimentos estavam em situação de sobrecarga, menos 10 pontos percentuais do que em Portugal.
A evolução ao longo do tempo é muito reveladora. Em 2013, 36% das famílias portuguesas estavam em situação de sobrecarga com as despesas da habitação, não tanto devido ao aumento dos preços da habitação, mas sobretudo porque os rendimentos das famílias tinham sido fortemente afetados pela crise económica e financeira que Portugal atravessava. A recuperação dos rendimentos nos anos seguintes, conjugada com um contexto de baixas taxas de juro, fez com que esta percentagem diminuísse progressivamente, atingindo 21% em 2019 e 2020. Nos anos seguintes, contudo, a tendência inverteu-se. A percentagem aumentou para 34% em 2022, num contexto de aceleração dos preços da habitação e das rendas e de subida das taxas de juro. Em 2023, voltou a cair para 26%, acompanhando a descida das taxas de juro e a recuperação dos rendimentos face à inflação. Em 2024, porém, o forte aumento dos preços da habitação fez a percentagem disparar para 37%, o valor mais elevado de toda a série apresentada.
Estes são os dados mais recentes, mas não é previsível que a situação tenha melhorado consideravelmente desde o final de 2024. Entre o 4.º trimestre de 2024 e o 1.º trimestre de 2026, os preços da habitação aumentaram 23%, enquanto as novas rendas subiram 4%. O rendimento médio mensal líquido cresceu 9% mas a taxa Euribor a 6 meses aumentou 0,2 pontos percentuais até agosto deste ano e a tendência é de que continue a subir.
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