

2025-11-18
Por +Factos
Assumindo o crescimento real do PIB per capita previsto pelo FMI para Portugal (1,8% ao ano até 2030 e mantido até 2034), o país poderá ultrapassar o Japão no prazo de uma década. No entanto, para recuperar o atraso face à maioria das grandes economias desenvolvidas, assumindo as previsões de crescimento desses países, seriam necessárias taxas anuais de crescimento substancialmente superiores. Para alcançar Espanha, Reino Unido ou França, Portugal teria de crescer entre 2,1% e 2,7% por ano; já para atingir economias mais produtivas como a Alemanha, a Dinamarca ou os Países Baixos, seriam precisos crescimentos médios entre 4,3% e 6,1%. No caso dos EUA e da Suíça, o nível de riqueza só seria atingido com um crescimento na ordem dos 7% anuais.
O debate sobre o crescimento económico em Portugal ganha nova clareza quando analisamos o esforço necessário para o país alcançar, em apenas uma década, o nível de riqueza, por pessoa, das economias mais avançadas, em paridade de poderes de compra.
Atualmente, o crescimento real do PIB per capita previsto para Portugal, pelo FMI, até 2030, ronda 1,8% ao ano, nível de crescimento que, na análise, se assumiu até 2034. Esse crescimento poderá ser suficiente para ultrapassar o Japão (cujo crescimento económico previsto pelo FMI será de 1,2% ao ano), no entanto, para recuperar o atraso face a grande parte das maiores economias mundiais, num horizonte de 10 anos, seriam necessárias taxas de crescimento superiores. Para atingir países como a Espanha, o Reino Unido ou a França, Portugal teria de crescer entre 2,1% e 2,7% por ano. O desafio torna-se mais acentuado quando o objetivo são economias como a Alemanha, a Dinamarca ou os Países Baixos; seria necessário um crescimento médio de 4,3%, 5,6% e 6,1% ao ano, respetivamente.
No topo estão economias ainda mais distantes: EUA e Suíça, ambas exigindo um crescimento anual na ordem dos 7% durante uma década — um patamar que ultrapassa largamente o crescimento observado nas economias avançadas, nas últimas décadas, e ainda mais em Portugal, e que colocaria o nosso país entre as economias de mais rápido crescimento do mundo. Convém realçar que esta não é uma análise estática: tal como foi considerada a estimativa de crescimento real do PIB per capita português, fez-se o mesmo exercício para os restantes países.
Alguns destes países têm reduzidas expectativas de crescimento (por exemplo, a Suíça deverá crescer apenas 0,6% ao ano), pelo que o esforço reside na grande diferença económica atual entre Portugal e estas economias.
Este exercício evidencia a magnitude do desafio estrutural que o país enfrenta. O diferencial económico não é apenas uma questão conjuntural, mas sim um reflexo de décadas de produtividade baixa, investimento limitado e fraca capacidade de geração de riqueza. Para reduzir esse fosso, políticas públicas e privadas precisariam de convergir num esforço contínuo de qualificação, inovação, eficiência e competitividade.
Em suma, alcançar algumas das economias mais avançadas não é impossível — o crescimento projetado pelo FMI poderá ser suficiente para ultrapassar o Japão e aproxima-se do necessário para chegar à Espanha — mas, para chegar mais além, exigiria um ritmo de crescimento sem precedentes na história recente do país.
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