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2026-09-25

Por +Factos

Peso dos produtos alimentares e energéticos nas despesas de consumo das famílias

A taxa de inflação oficial é uma média, mas cada família enfrenta uma evolução diferente do custo de vida consoante os produtos que mais consome. Em Portugal, alimentação e energia representam 22% das despesas das famílias de menores rendimentos, contra 13,6% nas de rendimentos mais elevados. 

O impacto da inflação não é exatamente igual para todas as pessoas. A taxa de inflação divulgada pelos organismos oficiais é uma média, calculada com base na evolução dos preços de um cabaz representativo de bens e serviços. Mas cada pessoa ou família tem os seus próprios hábitos de consumo e, por isso, pode enfrentar uma evolução diferente do custo de vida. Se uma família gasta uma parcela maior do seu orçamento em alimentos e energia, por exemplo, a subida dos preços destes produtos terá um impacto maior no seu orçamento.

Esta diferença é particularmente relevante quando analisamos famílias com diferentes níveis de rendimento. Em Portugal, os dados do INE mostram que, em 2022, os produtos alimentares e energéticos representavam 22% das despesas de consumo das famílias do 1.º quintil de rendimento, correspondente aos 20% com rendimentos mais baixos. Esta proporção diminuía progressivamente à medida que aumentava o rendimento: 20,9% no 2.º quintil, 19,9% no 3.º, 17,8% no 4.º e apenas 13,6% no 5.º quintil.

Isto significa que os preços dos bens essenciais têm um peso bastante diferente nos orçamentos das famílias. Entre os 20% com rendimentos mais baixos e os 20% com rendimentos mais elevados, existe uma diferença de 8,4 pontos percentuais na parcela das despesas destinada a produtos alimentares e energéticos.

Ao mesmo tempo, estas categorias registaram aumentos de preços significativos e mais elevados do que os índices gerais de preços nos últimos anos. Entre janeiro de 2021 e julho de 2026, os preços dos produtos alimentares aumentaram 36,4%, enquanto os preços dos produtos energéticos subiram 28,4%. O índice geral, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor, registou uma subida acumulada de 26,0%.

A taxa de inflação oficial continua, por isso, a ser uma medida fundamental para acompanhar a evolução geral dos preços, mas não significa que todas as famílias tenham enfrentado exatamente a mesma subida do seu custo de vida. A composição do orçamento de cada família determina a inflação que efetivamente sente.

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