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2026-09-16

Por +Factos

Progresso na implementação das recomendações do Relatório Draghi

Dois anos após a publicação do Relatório Draghi, apenas 16% das suas recomendações foram totalmente implementadas. Outros 42% estão ainda em progresso, 26% foram parcialmente implementadas e 17% não foram implementadas. A evolução é bastante desigual entre os 10 setores analisados: áreas como o Digital & Tecnologia, a Energia e o Setor Automóvel — talvez as mais afetadas pela concorrência externa ou onde a UE está mais dependente de terceiros — encontram-se bastante atrasadas.

O Relatório Draghi, publicado em setembro de 2024, alertou para uma perda de competitividade da União Europeia e para o risco da Europa ficar para trás face aos EUA e à China se não acelerasse o investimento, a inovação e as reformas. Simultaneamente, apresentou um conjunto de propostas para atenuar essa realidade e reforçar a competitividade e a produtividade da economia europeia.

Dois think tanks, o European Policy Innovation Council (EPIC) e o Centre for Liberal Studies – Markos Dragoumis (KEFiM), mapearam essas recomendações (383) e têm estado a acompanhar a sua implementação.

Passados dois anos da publicação do relatório, apenas 16% das recomendações foram totalmente implementadas, enquanto 26% foram parcialmente implementadas. Outras 42% encontram-se ainda em processo de implementação e 17% não foram implementadas.

As Matérias-primas Críticas apresentam a maior percentagem de recomendações totalmente implementadas, com 39%, seguidas pela Defesa, com 29%, pelos Transportes, com 27%, e pelas Indústrias Energeticamente Intensivas, com 26%.

Nos setores mais associados à transformação tecnológica e energética — precisamente as áreas em que a UE é menos competitiva ou apresenta maior dependência de países terceiros — a implementação das medidas tem sido mais lenta. Das recomendações formuladas, apenas 16% na área das Tecnologias Limpas, 6% na área do Digital e Tecnologia e 1% na área da Energia foram integralmente implementadas.

O setor automóvel — outro dos setores em que os países da UE mais têm perdido competitividade — não tem, até agora, nenhuma recomendação totalmente implementada. O mesmo se verifica no setor do Espaço, que continua sem qualquer recomendação integralmente implementada.

No conjunto dos 10 setores analisados, o retrato é, assim, de implementação ainda muito incompleta: apenas cerca de uma em cada seis recomendações foi totalmente concretizada dois anos após a apresentação do Relatório Draghi, enquanto a maioria permanece parcialmente implementada, em progresso ou por implementar.

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