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2021-07-23

Por Instituto +Liberdade

O mito da educação e saúde em Cuba

Os dados mostram que Cuba fez menos progressos ao nível da educação e da saúde nos últimos 60 anos do que a maioria dos outros países da América Latina.

No programa “60 Minutos” da CBS, o Senador Bernie Sanders elogiou recentemente os feitos do regime comunista de Cuba. O entrevistador perguntou-lhe sobre os seus comentários de 1985 em que Sanders afirmou que os cubanos apoiavam o ditador comunista Fidel Castro porque ele "educou os seus filhos, deu-lhes cuidados de saúde, e transformou totalmente a sociedade". Em resposta, Sanders defendeu esses comentários, afirmando que quando "Fidel Castro entrou em funções, sabe o que ele fez? Implementou um enorme programa de alfabetização".

Mas não foi Castro que deu alfabetização aos cubanos. Cuba já tinha uma das mais altas taxas de alfabetização da América Latina em 1950, quase uma década antes de Castro tomar o poder, de acordo com dados das Nações Unidas (estatísticas da UNESCO). Em 2016, o verificador de factos do Washington Post, Glenn Kessler, desmascarou a alegação de um político de que o governo de Castro havia melhorado significativamente os cuidados de saúde e a educação dos cubanos.

Na Cuba atual, as crianças são ensinadas por professores mal pagos, em escolas degradadas. Cuba fez menos progressos educacionais do que a maioria dos países latino-americanos nos últimos 60 anos.

Segundo a UNESCO, Cuba tinha aproximadamente a mesma taxa de alfabetização que a Costa Rica e o Chile em 1950 (perto de 80 por cento). E tem quase a mesma taxa de alfabetização que eles têm hoje (perto de 100%).

Entretanto, os países latino-americanos que eram largamente analfabetos em 1950 – como o Peru, Brasil, El Salvador, e a República Dominicana – são hoje largamente alfabetizados, reduzindo grande parte do fosso em relação a Cuba. El Salvador tinha uma taxa de alfabetização inferior a 40 por cento em 1950, mas tem hoje uma taxa de alfabetização de 88 por cento. O Brasil e o Peru tinham uma taxa de alfabetização inferior a 50% em 1950, mas, hoje em dia, o Peru tem uma taxa de alfabetização de 94,5%, e o Brasil uma taxa de alfabetização de 92,6%. A taxa da República Dominicana subiu de pouco mais de 40% para 91,8%. Ainda que Cuba tenha feito progressos substanciais na redução do analfabetismo nos primeiros anos de Castro no poder, o seu sistema educativo estagnou desde então, mesmo com grande parte da América Latina a melhorar.

Ao contrário da afirmação de Sanders de que Castro "deu" cuidados de saúde aos cubanos, estes já tinham acesso a cuidados de saúde antes de ele tomar o poder. Os médicos forneciam frequentemente cuidados de saúde gratuitos a quem não tinha dinheiro para os pagar. Como observou Glenn Kessler do Washington Post:

Quanto aos cuidados de saúde e à educação, Cuba já estava perto do topo antes da revolução. A baixa taxa de mortalidade infantil em Cuba é frequentemente elogiada, mas Cuba já liderava a região nesta medida-chave em 1953-1958, de acordo com dados recolhidos por Carmelo Mesa-Lago, um especialista cubano e professor emérito da Universidade de Pittsburgh.

Cuba estava à frente de praticamente todos os países da América Latina na esperança de vida em 1959, antes de os comunistas de Castro tomarem o poder. Porém, em 2012, após Castro ter abandonado o poder como líder do Partido Comunista, os chilenos e os costa-riquenhos já viviam um pouco mais do que os cubanos. Em 1960, os chilenos tinham uma esperança de vida sete anos mais curta do que os cubanos, e os costa-riquenhos viviam em média mais de dois anos a menos que os cubanos. Em 1960, os mexicanos viviam sete anos menos do que os cubanos; em 2012, a diferença tinha diminuído para apenas dois anos.

(Hoje em dia, a esperança de vida em Cuba é praticamente a mesma que nos (mais prósperos) Chile e Costa Rica – se aceitarmos as róseas estatísticas oficiais divulgadas pelo governo comunista de Cuba, as quais muitas pessoas rejeitam. Cuba tem sido acusada de esconder mortes infantis, e de exagerar a esperança de vida dos seus cidadãos. Se estas acusações forem verdadeiras, os cubanos morrem mais cedo do que os chilenos ou os costa-riquenhos).

Cuba fez menos progressos nos cuidados de saúde e na esperança de vida do que a maioria da América Latina nos últimos anos, devido ao seu decrépito sistema de saúde. "Os hospitais da capital da ilha estão literalmente a desmoronar-se". Por vezes, os pacientes "têm de trazer tudo consigo, porque o hospital não fornece nada. Almofadas, lençóis, medicamentos: tudo".

Como observou Kessler:

Já houve também repórteres que documentaram que os hospitais cubanos estão mal equipados. Uma série de 2004 sobre o sistema de saúde cubano no National Post do Canadá disse que as farmácias têm muito pouco stock e que os antibióticos só estão disponíveis no mercado negro. "Um dos mitos que os canadianos têm sobre Cuba é que o seu povo pode ser pobre e viver sob um governo repressivo, mas tem acesso a instalações de saúde e educação de qualidade", disse o Post. "É um retrato encorajado pelo governo, mas a realidade é nitidamente diferente".

Com o comunismo, Cuba também tem ficado para trás em medidas mais gerais de desenvolvimento humano. Como salientou o economista Brad DeLong:

Cuba em 1957 era um país desenvolvido. Cuba em 1957 tinha uma mortalidade infantil inferior à da França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália, Espanha, e Portugal. Cuba em 1957 tinha médicos e enfermeiros: tantos médicos e enfermeiros per capita como os Países Baixos, e mais do que a Grã-Bretanha ou a Finlândia. Cuba em 1957 possuía tantos veículos per capita como o Uruguai, Itália, ou Portugal. Cuba em 1957 tinha 45 televisores por cada 1000 pessoas – o quinto maior do mundo... Hoje? Hoje, a ONU coloca o IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] de Cuba ao nível do ... México. (E Carmelo Mesa-Lago considera que os cálculos da ONU estão seriamente equívocados: os verdadeiros pares de Cuba ao nível de IDH são hoje [2008] países como a China, a Tunísia, o Irão, e a África do Sul). Assim, não compreendo os esquerdistas que falam das conquistas da Revolução Cubana, de ter "...melhores cuidados de saúde, habitação, educação".

Como observa Michael Giere, Cuba era próspera antes de os comunistas de Castro tomarem o poder:

Um relatório das Nações Unidas (UNESCO) em 1957 observou que a economia cubana incluía proporcionalmente mais trabalhadores sindicalizados do que nos EUA. O relatório também afirmava que os salários médios para um dia de oito horas eram mais altos em Cuba do que “na Bélgica, Dinamarca, França e Alemanha"... A PBS explicou numa retrospectiva de 2004 que

"Havana [antes de Castro] era uma cidade cintilante e dinâmica. Cuba estava em quinto lugar no hemisfério em termos de rendimento per capita, terceiro em esperança de vida, segundo em propriedade de automóveis e telefones per capita, primeiro no número de televisores por habitante. A taxa de alfabetização, 76%, era a quarta mais elevada da América Latina. Cuba ocupava o 11.º lugar no mundo em número de médicos per capita. Muitas clínicas e hospitais privados prestavam serviços aos pobres. A distribuição de rendimentos de Cuba comparava favoravelmente com a de outras sociedades latino-americanas. Uma classe média próspera cumpria a promessa de prosperidade e mobilidade social".

Mas depois de Castro ter assumido o controlo, a prosperidade chegou ao fim:

Não há como não dramatizar a destruição de Cuba por Fidel Castro. Ele saqueou, assassinou e destruiu a nação de cima a baixo. Um facto apenas explica tudo: os cubanos gozavam outrora de um dos maiores consumos de proteínas das Américas, mas em 1962 Castro teve de introduzir senhas de racionamento (2 onças [57 g] de carne por dia), enquanto o consumo de alimentos por pessoa caía para níveis não vistos desde o século XIX.

A fome tornou-se tão generalizada que um médico sueco ali de visita, Hans Rosling, teve de avisar o ditador cubano, em 1992, para a deficiência generalizada de proteínas entre os cubanos. Cerca de 40 000 cubanos reportavam estar a sentir "perda de foco visual e grave entorpecimento nas pernas". A convite da embaixada cubana na Suécia, e com a aprovação de Castro, Rosling viajou até ao coração do surto, na província ocidental de Pinar del Río. Após investigar, acabou por perceber que as pessoas afetadas pelos sintomas sofriam todas de deficiência de proteínas. O governo estava a racionar a carne e os adultos haviam sacrificado a sua porção para alimentar as crianças, as mulheres grávidas e os idosos. Rosling contou tudo isto a Fidel Castro.

Ora, em pleno período de fome generalizada, Bernie Sanders vendia o mito de que a fome era inexistente em Cuba. Em 1989, publicou uma coluna de jornal afirmando que a Cuba de Fidel Castro “não tem fome, está a educar todas as suas crianças e está a prestar cuidados de saúde de alta qualidade e gratuitos".

(Escrito por Hans Bader para o site Liberty Unyielding e republicado com autorização na FEE)

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